Quercetina protege contra dano oxidativo causado por paraquat em fígado e rim de ratos

Tatiane Julia Hahn, Josiane Woutheres Bortolotto, Thiago de Souza Claudino, Gabriela Bonfanti-Azzolin

Resumo


As intoxicações por paraquat (Pq) são frequentes no país e seu mecanismo de ação tóxica envolve a geração de estresse oxidativo, que pode ser combatida com antioxidantes exógenos como a quercetina (Q). Assim, ao avaliar o papel desse flavonoide em dano causado por Pq em modelo experimental animal, in vitro, observou-se uma redução no nível de lipoperoxidação hepático, sugerindo maior sensibilidade desse tecido do que o renal. Também, quando em associação, Pq + Q foram capazes de provocar a inibição da enzima δ-aminolevulinato desidratase (δ-ALA-D), possivelmente por mecanismo de quelação, não relacionado aos grupos sulfidrílicos da enzima. In silico, a Q apresentou boa absorção intestinal, alta taxa de ligação às proteínas plasmáticas, potencial mutagênico, carcinogênico e inibitório sobre enzimas do metabolismo. Assim, acredita-se que a dieta alimentar rica em Q ou sua suplementação pode trazer benefícios à saúde da população, especialmente àqueles expostos a herbicidas, como o Pq.

Palavras-chave


Estresse Oxidativo; In silico; Agrotóxicos; Antioxidante

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DOI: http://dx.doi.org/10.20435/multi.v24i58.2330

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